CAPÍTULO 3 Lorena atravessava o salão com o olhar atento. A música, as luzes, os risos — tudo aquilo era o seu habitat natural. Mas não o de Joana. E Joana tinha desaparecido. Lorena, apesar de ser uma modelo famosa , habituada a câmaras, flashes e multidões, nunca quis que a sua fama caísse sobre a irmã como uma sombra. A mãe delas — luso britânica , elegante, reservada, sempre dividida entre Londres e Lisboa — tinha ensinado às duas que cada pessoa devia encontrar o seu próprio palco. Lorena encontrou o dela cedo. Joana… nunca quis palco nenhum. E agora… Joana estava algures no salão, mascarada, vulnerável, e Lorena não a via. — Onde é que ela se meteu…? — murmurou, inquieta. Isabel aproximou-se, ainda a recuperar o fôlego da dança. — Lorena! — disse ela, apontando discretamente para o centro da pista. — Olha ali. Lorena seguiu a direção do dedo. E viu. Joana. A sua irmã tímida, discreta, que fugia de câmaras como quem foge de tempestades. A irmã que recusava entrevistas, r...